CARGA ESPECIAL & REGULAÇÃO DNIT

Carga indivisível: dimensões, PBTC, CVC e pré-AET para planejar a viagem sem surpresas

24 min de leitura Atualizado em outubro de 2026 Resoluções CONTRAN 882/2021 & DNIT 11/2022
Índice Temático do Artigo

Principais Conclusões do Guia Operacional

Definição Inviolável: Carga indivisível é aquela cujo fracionamento é fisicamente impossível sem perda total da função ou que acarrete custos desproporcionais de desmontagem e remontagem estrutural. Dividir cargas indivisíveis em múltiplos veículos apenas para driblar limites regulamentares ou transportar peças soltas sobre pranchas de carga especial configura infração gravíssima com retenção do veículo.

Carga Excedente vs. Veículo Especial: Não basta apenas a carga ter dimensões regulares; se o semirreboque (como carretas extensivas, pranchas rebaixadas ou linhas de eixo) exceder as medidas convencionais (largura > 2,60 m, altura > 4,40 m ou comprimento > 19,80 m), a Autorização Especial de Trânsito (AET) é obrigatória mesmo trafegando em vazio.

Cálculo Crítico do SIAET: A submissão manual de AET ao DNIT ou DERs estaduais é demorada (de 3 a 15 dias úteis) e possui custos de expediente (TAP/TAR). Erros nos cálculos de distribuição em tandem ou indicação de rota com obras de arte com gabarito insuficiente resultam em indeferimento sumário, gerando multas de estadia em pátios de fábricas e estresse na cadeia industrial.

1. O que caracteriza carga indivisível segundo as normas vigentes

O transporte rodoviário de cargas no Brasil é regido por limites severos de geometria e peso com o objetivo primário de resguardar a integridade física dos pavimentos asfálticos, a segurança viária dos usuários e a durabilidade das pontes e viadutos. No entanto, o desenvolvimento da infraestrutura e dos setores de energia, mineração, agronegócio e construção civil demanda com frequência a movimentação de equipamentos monumentais que desafiam os padrões convencionais do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

De acordo com a Resolução CONTRAN nº 882/2021 e os normativos técnicos de transportes especiais do DNIT (especialmente a Resolução DNIT nº 11/2022), carga indivisível é definida formalmente como:

"A carga unitária que, pelas suas características físicas de fabricação ou montagem, não possa ser fracionada sem perda de sua utilidade, destruição de suas propriedades operacionais ou despesas desproporcionais de desmontagem e remontagem, exigindo veículos e combinações especiais para a sua movimentação segura."

Essa definição regulatória estabelece uma fronteira técnica rígida entre o que pode e o que não pode pleitear tratamento excepcional nas rodovias. Entre os exemplos genuínos de cargas indivisíveis enquadráveis no regime de AET, destacam-se:

  • Setor Elétrico e Energia: Transformadores de potência para subestações, reatores elétricos, geradores eólicos (pás eólicas com mais de 70 metros de comprimento, cubos e naceles com centenas de toneladas);
  • Indústria Petroquímica e Metalurgia: Vasos de pressão, caldeiras de craqueamento, torres de destilação, trocadores de calor gigantes e bobinas de aço de grande largura que não possam ser desmembradas em fábrica;
  • Engenharia Pesada e Construção Civil: Vigas pré-moldadas de concreto protendido para pontes e viadutos, perfuratrizes de túneis (tatuzões), estacas pranchas de fundação e guindastes telescópicos sobre esteiras ou rodas;
  • Maquinário Industrial, Agrícola e de Mineração: Escavadeiras hidráulicas de grande porte, tratores de esteira (D8/D9), motoniveladoras pesadas, colheitadeiras agrícolas com esteiras largas e chassis rígidos de caminhões fora-de-estrada.

Alerta de Conformidade Operacional: A fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e dos agentes do DNIT atua com tolerância zero para a prática ilícita de "agrupamento de cargas fracionadas sob AET de carga indivisível". Carregar dois maquinários menores que individualmente caberiam dentro das dimensões legais, empilhar fardos de celulose ou posicionar tubulações seccionadas além da borda do implemento caracteriza infração gravíssima com aplicação de multa, retenção imediata do veículo até o transbordo e abertura de processo administrativo de suspensão cadastral da transportadora no SIAET.

2. Dimensões da carga versus dimensões da composição: entendendo a diferença técnica

Um dos erros mais frequentes na engenharia de transporte e nas áreas de contratação de frete é avaliar unicamente as medidas nominais da peça enviadas pelo fabricante, sem computar o espaço geométrico que o equipamento passa a ocupar quando ancorado sobre o conjunto transportador.

Os limites regulamentares máximos para veículos convencionais sem AET (CTB art. 99 e Resolução CONTRAN nº 882/2021) são:

Grandeza Geométrica Limite Legal Comum (Sem AET) Tolerância de Fiscalização Condição de Enquadramento
Largura Máxima 2,60 metros Zero tolerância (+0,00 cm) Medida em qualquer ponto saliente da carga ou implemento
Altura Máxima 4,40 metros Até 5,0 cm em aferição ótica Medida perpendicular da superfície do asfalto até o topo
Comprimento (Caminhão Trucado) 14,00 metros Zero tolerância Veículo isolado de 2 ou 3 eixos
Comprimento (Carreta Convencional) 19,80 metros Zero tolerância Cavalo mecânico 6x2/6x4 + Semirreboque de 3 eixos
Balanço Traseiro Máximo Até 60% da distância entre eixos (máx 3,50 m) Zero tolerância Extensão do centro do último eixo até o fim da carga

Quando a carga é acomodada sobre o semirreboque, as grandezas mudam drasticamente. Se uma peça possui 3,80 metros de altura líquida e é posicionada sobre um semirreboque prancha padrão cuja altura de mesa útil em relação ao solo é de 1,10 metro, a altura total da composição combinada alcançará 4,90 metros. Essa composição não apenas ultrapassa o limite de 4,40 metros do CTB, como esbarra em gabaritos de pontes convencionais, passarelas de pedestres e fiações elétricas urbanas, exigindo autorização específica e estudo prévio de interferências aéreas.

Para viabilizar essas operações, a engenharia mecânica desenvolveu implementos rodoviários altamente especializados:

  • Semirreboque Prancha Rebaixada (Lowboy): Possui vigas laterais rebaixadas e pescoço mecânico ou hidráulico destacável (gooseneck), rebaixando a mesa útil de carga para entre 0,40 m e 0,80 m do solo, reduzindo a altura global do transporte em relação a obstáculos aéreos;
  • Gôndolas e Vigas de Carga: Implementos estruturados em vigas vazadas onde a peça (como um transformador) é fixada suspensa entre os apoios dianteiro e traseiro, trafegando a meros 20 a 30 centímetros do pavimento;
  • Carretas Extensivas (Telescópicas): Semirreboques cujo chassi se alonga hidraulicamente em estágios telescópicos, passando de 15 metros para até 55 metros ou mais, projetados especificamente para o transporte de pás eólicas e vigas estruturais de pontes;
  • Módulos de Linhas de Eixo Hidráulicas: Plataformas modulares montadas com 2, 4, 6 ou 8 linhas transversais de eixos hidropneumáticos direcionais, capazes de carregar blocos maciços de aço ou geradores de usinas que ultrapassam 200 toneladas de peso líquido.

3. PBTC, CVCs e a distribuição matemática de peso por linha de eixo

O Peso Bruto Total Combinado (PBTC) é a somatória do peso do cavalo-mecânico, do implemento transportador e da carga útil transportada. No regime comum sem AET, o teto legal é de 45,0 toneladas para carretas de 5 ou 6 eixos. Acima desse patamar, ingressa-se no universo das Combinações de Veículos de Carga (CVC) ou dos Veículos Especiais de Transporte.

As CVCs regulamentadas pela Resolução CONTRAN nº 882/2021 possuem limites bem delineados:

  • Bitrem de 7 eixos: PBTC máximo de 57,0 toneladas, composto por cavalo-mecânico trator e dois semirreboques acoplados por pino-rei montado na quinta-roda traseira do primeiro semirreboque. Comprimento entre 17,50 m e 19,80 m (dispensado de AET se o entre-eixos respeitar a norma) ou até 30,00 m com AET obrigatória;
  • Rodotrem de 9 eixos: PBTC máximo de 74,0 toneladas, composto por cavalo 6x4, semirreboque dianteiro, unidade intermediária de acoplamento do tipo Dolly com 2 eixos e semirreboque traseiro. Exige tração 6x4 obrigatória, comprimento mínimo de 25,00 m e máximo de 30,00 m, além de AET obrigatória em qualquer rota nacional;
  • Composições Superpesadas (Módulos Hidráulicos / Linhas de Eixo): Empregadas no transporte de supercargas indivisíveis onde o PBTC pode alcançar 150 t, 300 t ou mais de 600 toneladas. Nessas configurações, não se utiliza a tabela convencional de CVCs, mas sim o limite técnico de capacidade portante por linha de eixo aprovado pelo DNIT.

No transporte de cargas indivisíveis superpesadas, a conformidade de peso por eixo é a métrica mais auditada pelos órgãos viários. O pavimento asfáltico não reage ao peso total do caminhão, mas à pressão exercida pontualmente por centímetro quadrado sob a área de contato dos pneus.

Configuração de Eixo / Linha Pneus por Eixo Capacidade Legal Padrão Tolerância Legal (Lei 14.229/21)
Eixo Isolado Direcional 2 pneus simples 6,0 toneladas +12,5% (6,75 t)
Eixo Dianteiro Duplo Direcional 4 pneus simples 12,0 toneladas +12,5% (13,50 t)
Eixo Isolado Motriz (Traseiro) 4 pneus duplos 10,0 toneladas +12,5% (11,25 t)
Eixo Tandem Duplo (Distância ≥ 1,20m) 8 pneus duplos 17,0 toneladas +12,5% (19,12 t)
Eixo Tandem Triplo (Distância ≥ 1,20m) 12 pneus duplos 25,5 toneladas +12,5% (28,68 t)
Linha de Eixo Hidráulica Especial (DNIT) 8 pneus oscilantes / linha 12,0 a 16,0 toneladas / linha Definido na AET e EVEO

Cálculo do Centro de Gravidade (CG): Um erro clássico em expedições industriais é posicionar uma carga de 35 toneladas deslocada 60 centímetros à frente do centro geométrico do implemento. Esse erro de estivagem sobrecarrega a quinta-roda do cavalo e os eixos tracionados (tandem motriz), ultrapassando o limite técnico e estourando a balança rodoviária, enquanto os eixos traseiros do semirreboque ficam com capacidade ociosa. A correta distribuição de carga depende do cálculo do momento fletor e da localização do Centro de Gravidade tridimensional (CGx, CGy, CGz) em relação ao pino-rei e ao centro geométrico dos eixos.

4. Quando a AET tende a ser necessária e faixas de exigência de escolta

A emissão da Autorização Especial de Trânsito não é discricionária: ultrapassou qualquer limite das tabelas da Resolução CONTRAN nº 882/2021 ou Resolução DNIT nº 11/2022, a AET torna-se documento de porte obrigatório impresso ou eletrônico sob pena de retenção imediata nos termos do art. 231, inciso IV ou VI do CTB.

Além da autorização documental expedida pelo DNIT ou DER, o tráfego de cargas superdimensionadas impõe a mobilização de escoltas credenciadas e, em casos extremos, de batedores da Polícia Rodoviária Federal ou Polícia Militar Rodoviária. As faixas de exigência de escolta nas rodovias federais são rigorosamente tabuladas:

Dimensão / Parâmetro Crítico Exigência de Escolta (Pista Simples) Exigência de Escolta (Pista Dupla) Condições Adicionais
Largura até 3,20 m Sem escolta obrigatória Sem escolta obrigatória Sinalização traseira com placa refletiva AET
Largura de 3,21 m a 3,80 m 1 Escolta credenciada (Retaguarda) Sem escolta obrigatória Velocidade máxima regulada
Largura de 3,81 m a 4,50 m 2 Escoltas credenciadas (1 à frente e 1 atrás) 1 Escolta credenciada (Retaguarda) Comunicação por rádio e bandeiras refletivas
Largura de 4,51 m a 5,00 m 2 Escoltas credenciadas + apoio operacional 2 Escoltas credenciadas Proibido tráfego em horários de pico
Largura acima de 5,00 m Escolta Policial (PRF) + Escoltas privadas Escolta Policial (PRF) + Escoltas privadas Fechamento programado de rodovia e bypass
Comprimento de 25,01 m a 30,00 m 1 Escolta credenciada na retaguarda Sem escolta obrigatória CVCs Rodotrem e carretas extensivas
Comprimento de 30,01 m a 35,00 m 2 Escoltas credenciadas 1 Escolta credenciada Raio de giro e desvio de praças de pedágio
Comprimento acima de 35,00 m Escolta Policial (PRF) obrigatória Escolta Policial (PRF) obrigatória Estudo de viabilidade geométrica (EVEO)
PBTC acima de 100 toneladas Escolta credenciada / PRF conforme laudo Escolta credenciada / PRF conforme laudo Laudo estrutural de pontes e viadutos (OAE)

O custo de mobilização de escoltas credenciadas e batedores policiais não é desprezível: representa frequentemente entre 15% e 40% do valor total do frete de projetos industriais. Deixar de planejar a escolta na cotação comercial ou descobrir a necessidade na véspera do embarque gera cancelamentos contratuais e paradas não previstas de linhas de montagem.

Entenda na Prática: Cálculo de Eixos, Pesagem e Conformidade de Frotas

Assista à demonstração oficial do canal Geodagio explicando a arquitetura de cálculo por eixos, parametrização de frotas pesadas e inteligência de roteirização com tarifas rodoviárias em tempo real:

5. Dados que a engenharia de tráfego precisa levantar antes da solicitação da AET

O processo de protocolo de AET no sistema SIAET do DNIT ou nos portais dos DERs não tolera dados aproximados. Qualquer divergência entre o croqui cadastrado no sistema e a medição do agente fiscalizador no posto da PRF resulta em autuação imediata por "transitar com AET com dados divergentes da composição".

Antes de qualquer tentativa de submissão, a equipe de engenharia e logística deve consolidar a seguinte ficha cadastral padronizada:

  1. Geometria da Carga Solteira: Comprimento, largura, altura e peso líquido medido em balança calibrada (ou certificado de pesagem do fabricante);
  2. Especificações do Veículo Trator (Cavalo-Mecânico): Marca, modelo, placa, chassi, Renavam, tara, PBTC técnico e Capacidade Máxima de Tração (CMT) informada no manual do fabricante. O CMT deve ser obrigatoriamente igual ou superior ao PBTC final da composição somada;
  3. Especificações dos Semirreboques ou Módulos: Placas, Renavams, taras individuais, quantidade de linhas de eixo, tipo de pneus (radiais vs. diagonais), suspensão (mecânica por feixe de molas, pneumática ou hidropneumática) e altura da mesa de carga;
  4. Mapeamento Dimensional de Eixos (Entre-Eixos): Distância exata em milímetros entre cada um dos eixos do cavalo e entre os eixos do implemento. Essa distância define juridicamente se o conjunto é classificado como tandem duplo, tandem triplo ou eixos distanciados ( tandem com mais de 2,40 m de distância possui outra capacidade de carga);
  5. Balanço Dianteiro e Traseiro: Distância entre o centro da roda dianteira do cavalo e o para-choque dianteiro; e distância entre o centro do último eixo do semirreboque e a extremidade mais recuada da carga transportada.

Evite Indeferimentos de AET e Surpresas em Balanças

Valide previamente pesos por eixo, PBTC, faixa de escolta e limites regulamentares da sua carga em milissegundos com a API de Conformidade Veicular do Geodagio.

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6. Restrições de rota, Obras de Arte Especiais (OAE) e planejamento viário

Roteirizar uma carga indivisível não tem qualquer semelhança com a roteirização convencional de um caminhão baú ou carreta sider. O menor caminho apontado por aplicativos comerciais de GPS (como Google Maps ou Waze) frequentemente conduz a composição para armadilhas estruturais intransponíveis:

  • Gabarito Vertical Insuficiente em Viadutos e Passarelas: Pontes antigas com gabarito livre de 4,50 m ou 4,60 m não permitem a passagem de pranchas carregadas com 4,90 m ou 5,20 m de altura total. Em muitas situações, a composição precisa descer pela alça de acesso, cruzar a rotatória urbana no mesmo nível e retornar à rodovia principal pelo outro lado;
  • Capacidade Portante de Pontes e Obras de Arte Especiais (OAE): Rodovias federais e estaduais possuem pontes centenárias dimensionadas para o padrão antigo TB-36 (trens-tipo de 36 toneladas) ou TB-45. Quando uma carga atinge 80 t, 120 t ou mais de 200 toneladas, o DNIT exige a elaboração de um Estudo de Viabilidade Estrutural e Geométrica (EVEO) assinado por engenheiro calculista com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica);
  • Procedimentos Especiais de Transposição de Pontes: Determinadas pontes exigem que o veículo transite em velocidade controlada de 5 km/h a 10 km/h, posicionado exatamente no eixo longitudinal central da estrutura, com o tráfego oposto completamente interditado pelos batedores da PRF para evitar cargas combinadas dinâmicas;
  • Passagem por Praças de Pedágio e Balanças: Cargas com largura superior a 3,50 m não passam pelas cabines convencionais de pedágio. O planejamento deve mapear se as praças do itinerário possuem pista lateral para cargas especiais (bypass) com cancela manual larga e guias rebaixadas, além de verificar se a cobrança será realizada pela tarifa multiplicada de eixos do conjunto.

7. Janelas e restrições operacionais de circulação a verificar

Mesmo com a AET deferida e batedores credenciados no pátio, a viagem não pode ocorrer em qualquer dia e horário. O DNIT e a Polícia Rodoviária Federal impõem janelas horárias estritas para não colapsar o tráfego das rodovias brasileiras:

Tipo de Rodovia Janela Horária Autorizada Restrições em Finais de Semana e Feriados
Pista Simples (Geral) Do amanhecer ao pôr do sol (horário diurno oficial) Proibido circular a partir das 12h de sexta até as 12h de segunda-feira
Pista Dupla / Concessionada 24 horas por dia (ou das 06h às 18h se largura > 4,00 m) Circulação permitida mediante anuência prévia da concessionária
Perímetros Urbanos e Capitais Geralmente apenas no período noturno (das 22h às 05h) Necessária batedor municipal e coordenação com órgãos de trânsito
Operações de Feriados Prolongados PRF Tráfego totalmente suspenso (Carnaval, Semana Santa, Fim de Ano) Portarias sazonais da PRF suspendem todas as AETs em rodovias federais de pista simples

Ignorar essas janelas regulatórias resulta na parada forçada da carga no primeiro posto policial da PRF, imobilizando o veículo por todo o fim de semana com cobrança diária de taxa de estadia dos batedores e atraso irreparável no cronograma de montagem do contratante.

8. O pré-AET como filtro técnico antes do processo burocrático oficial

A submissão formal de uma AET no sistema SIAET do DNIT ou nos DERs estaduais é um procedimento administrativo burocrático e oneroso. Cada pedido exige recolhimento prévio de taxa de expediente (Tarifa de Expedição de AET - TEA ou Tarifa de Adicional de Peso - TAP), preenchimento manual de dezenas de campos de dimensões, anexação de croquis veiculares e espera por parecer técnico.

Em rotas interestaduais complexas (por exemplo, de São Paulo até o interior do Pará), o transportador precisa de múltiplas autorizações: AET do DER-SP para o trecho estadual paulista, AET do DNIT para as rodovias federais (BR-050, BR-153, BR-010) e autorizações dos DERs de Goiás, Tocantins e Pará.

O Custo Oculto da Reprovação no SIAET

Quando o analista técnico do órgão viário indefere a AET — por exemplo, constatando que o peso por eixo ultrapassou em 500 kg a capacidade da ponte ou que a CMT do cavalo-mecânico cadastrado é inferior ao PBTC total —, o processo é cancelado. A taxa paga é perdida, o veículo fica parado no pátio do embarcador e um novo processo deve ser protocolado, adiando a viagem em mais 5 a 10 dias úteis.

É exatamente nesse ponto crítico que a tecnologia de Pré-AET se consolida como a melhor prática de engenharia. Em vez de testar a viabilidade no sistema oficial do governo, o transportador ou embarcador executa uma simulação síncrona automatizada:

  • Validação Instantânea de Regras CONTRAN/DNIT: O motor de cálculo verifica se o conjunto está enquadrado em bitrem, rodotrem ou veículo especial;
  • Conferência do Limite de CMT e Eixos: Alerta imediato se o cavalo trator selecionado não possui tração ou CMT compatível com a tonelagem da carga;
  • Predição de Escoltas: Cálculo automático da quantidade e modalidade de escoltas exigidas (batedores credenciados vs. PRF);
  • Detecção de Travessias Críticas: Identificação de pedágios com restrição de largura e sugestão de rotas alternativas já homologadas para cargas especiais.

9. Exemplo de checklist digital para embarcadores e transportadoras

Para blindar as operações de transporte pesado contra paralisações, multas e imprevistos na estrada, estruture seu processo interno em torno das etapas de validação a seguir:

Etapa do Checklist Item Auditado Critério de Aprovação Responsável
1. Caracterização da Carga Indivisibilidade física e funcional Impossibilidade de desmembramento sem perda de finalidade Engenharia do Embarcador
2. Pesagem Física Peso líquido e centro de gravidade (CG) Certificado de pesagem ou tolerância de balança conferida Expedição da Fábrica
3. Compatibilidade do Trator CMT e tração do cavalo-mecânico CMT ≥ PBTC total; tração 6x4 para composições acima de 57 t Transportador
4. Dimensões Combinadas Altura, largura e comprimento montados Medição real com carga estivada sobre a prancha útil Operação de Pátio
5. Distribuição por Eixo Peso por linha de eixo vs. tabelas DNIT Nenhum agrupamento acima do limite legal (+12,5% tolerância) Pré-AET Geodagio
6. Planejamento de Escolta Faixa de largura e comprimento para batedor Escolta credenciada ou PRF contratada e confirmada Coordenação de Tráfego
7. Emissão e Porte da AET AETs estaduais e federais emitidas Documentos impressos ou no app oficial correspondendo à placa/eixos Despachante / Jurídico

10. Como integrar o pré-check ao fluxo comercial e operacional via API Geodagio

O cálculo manual de conformidade veicular e viabilidade de carga indivisível é lento, sujeito a erros humanos e incompatível com o dinamismo de cotações de fretes industriais. Com a infraestrutura do Geodagio, empresas de tecnologia logística, desenvolvedores de TMS/ERP e grandes embarcadores automatizam 100% dessa esteira por meio de chamadas REST síncronas.

O endpoint oficial /api/v1/vehicle-compliance/validate recebe os parâmetros brutos do conjunto e da carga, retornando em menos de 100 milissegundos o relatório técnico completo:

POST /api/v1/vehicle-compliance/validate HTTP/1.1 Host: api.geodagio.com Authorization: Bearer gdo_live_7x92k4... Content-Type: application/json { "vehicle": { "type": "LOWBOY_SPECIAL_TRAIN", "tractorCmtKg": 90000, "tractorTareKg": 10200, "trailerTareKg": 18500, "axleConfiguration": "6x4_TRIPLE_TANDEM_LOWBOY" }, "cargo": { "isIndivisible": true, "netWeightKg": 42000, "widthMeters": 3.65, "heightMeters": 3.90, "lengthMeters": 14.50 }, "routeContext": { "originUf": "SP", "destinationUf": "MG", "jurisdiction": "FEDERAL_AND_STATE" } }

O motor de inteligência do Geodagio processa as dimensões combinadas (computando a altura de mesa do implemento, balanços e distribuição estimada sobre os eixos) e devolve a resposta estruturada em envelope JSON:

{ "status": "AET_REQUIRED", "pbtcTotalKg": 70700, "cmtValidation": { "status": "COMPLIANT", "tractorCmtKg": 90000, "pbtcTotalKg": 70700, "marginKg": 19300 }, "dimensions": { "totalHeightMeters": 4.70, "totalWidthMeters": 3.65, "totalLengthMeters": 24.20 }, "regulatoryRequirements": { "escortRequired": true, "escortType": "ONE_CREDENTIALED_REAR_SINGLE_LANE", "nightTrafficAllowed": false, "weekendTrafficAllowed": false, "issuingAgencies": ["DNIT", "DER_SP", "DER_MG"] }, "riskAlerts": [ "Altura total acima de 4.50m exige verificação de gabarito em viadutos e fiação aérea.", "Largura de 3.65m impede trânsito em cabines de pedágio convencionais; utilizar bypass lateral." ] }

Com esse payload enriquecido, sua equipe comercial calcula o custo de frete com absoluta fidelidade, provisiona a despesa de escoltas e taxas de órgãos embutidas no orçamento e evita que a transportadora assuma contratos com margens deficitárias.

Perguntas Frequentes sobre Carga Indivisível e AET (FAQ)

O que é considerado carga indivisível?

Carga indivisível é a carga unitária que, pelas suas características físicas de fabricação ou montagem, não pode ser fracionada sem que haja perda de sua utilidade, destruição estrutural ou custo econômico desproporcional. São exemplos clássicos: transformadores elétricos de grande porte, pás de geradores eólicos, turbinas hidrelétricas, reatores petroquímicos, vigas pré-moldadas de concreto, caldeiras industriais e máquinas agrícolas ou da construção civil (escavadeiras, tratores de esteira e pás carregadeiras).

Qual a diferença entre CVC e veículo comum?

Veículo comum é um veículo isolado (caminhão toco, truck, traçado) ou uma combinação convencional simples formada por um cavalo-mecânico e um único semirreboque de até 19,80 m de comprimento e até 45 toneladas de PBTC. Já uma CVC (Combinação de Veículos de Carga) é uma composição formada por duas ou mais unidades de carga articuladas (como Bitrem, Rodotrem, Bitrenzão e Tritrem) ou que exceda os limites regulamentares comuns, alcançando até 30,00 m de comprimento e 74 toneladas (ou até 91 toneladas em configurações canavieiras/florestais específicas), exigindo obrigatoriamente estudo de tração e AET.

Quem emite a AET para cargas especiais?

A emissão da AET compete ao órgão executivo rodoviário com circunscrição sobre a via por onde a carga irá trafegar. Em rodovias federais (BRs), a competência é do DNIT (via sistema SIAET) ou da ANTT em rodovias concedidas sob regulamentação específica. Em rodovias estaduais, a emissão cabe aos respectivos DERs estaduais (como DER-SP, DER-MG, DER-PR). Quando a rota atravessa perímetros urbanos ou pontes municipais, é necessária também a anuência da autoridade municipal de trânsito.

É possível saber antes se a carga exigirá AET?

Sim. Toda carga ou composição veicular cujas dimensões totais superem 2,60 m de largura, 4,40 m de altura, 19,80 m de comprimento, ou cujo PBTC ultrapasse 45 toneladas em veículos comuns (ou 57 toneladas em bitrens com entre-eixos específicos) exigirá obrigatoriamente AET. Através de sistemas de pré-AET e APIs especializadas como a do Geodagio, é possível submeter as medidas e pesos do conjunto antes do embarque para receber um diagnóstico instantâneo de enquadramento, faixa de escolta e viabilidade.

Quais dimensões precisam ser informadas na solicitação da AET?

Devem ser informadas as dimensões individuais da carga (comprimento, largura, altura e peso líquido) e as dimensões finais da composição montada: comprimento total (do para-choque dianteiro do cavalo à extremidade traseira da carga/semirreboque), largura total máxima (incluindo excessos laterais), altura total do conjunto carregado a partir do solo, distância entre todos os eixos, balanço dianteiro e balanço traseiro (distância entre o centro do último eixo e o final da carga).

Como automatizar o pré-check de viabilidade de AET?

A automação do pré-check é realizada integrando o TMS ou ERP da transportadora à API de Conformidade Veicular do Geodagio (/api/v1/vehicle-compliance/validate). O sistema analisa instantaneamente as dimensões, PBTC, CMT do trator, espaçamento entre eixos e enquadramento regulatório, retornando a necessidade de AET, a exigência de escolta credenciada/policial, restrições de horário e cálculo prévio de viabilidade de rota.

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